terça-feira, 12 de abril de 2022

13.

 boa noite C.,

em abril fazia anos o amor da minha vida. planeava tudo cuidadosamente, tentava surpreendê-lo, comprava presentes caros para o mimar, achando que ele se sentiria amado, cuidado, acarinhado, dessa forma.

pelos vistos nem o amor que lhe dei, nem os presentes caros serviram para ele se sentir aconchegado comigo.

este ano não planeio dar-lhe qualquer presente. sinto-me subitamente desolada porque, pela primeira vez em 15 anos, não tenho vontade de surpreender a pessoa que, até há 1 ano, era o meu mundo. este dia de anos é mais um evento para me lembrar que perdi o homem que mais amei, que a vida nunca vai ser igual.

sinto-me muita vez culpada por pensar mal dele. por pensar que se ele não me respeitou, se não valorizou o que tinha e o que eu lhe dava, então daqui para a frente não terá mais de mim. mas uma relação não sobrevive a este desgaste, não aceita um deserto de afectos. 


querida C., não sei se algum dia voltarei a amar.

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