sábado, 21 de maio de 2022

15.

 querida C.,

às vezes tenho muitas saudades e desejo repetir tudo. também penso em telefonar-te, e ligar a outras pessoas, mas não sei se quero verdadeiramente.

hoje vi-a nos meus sonhos, tão bonita, tão leve, tão singular. 

C., tenho estado muito triste. quem me dera ter-te à minha frente e poder desabafar um pouquinho, mas com um rosto humano, e não com um écrã.


gros bisous,

R.

quinta-feira, 12 de maio de 2022

14.

 querida C.,

talvez veja ainda uma centelha a tentar iluminar um caminho. aprendi, nos últimos anos, que várias estradas se apresentam à nossa frente. cabe-nos escolher e, por vezes, não há diferenças substanciais entre essas vias. não é como nos contos infantis, em que os pedregulhos enormes fazem adivinhar, erroneamente, um percurso mais tumultuoso.

às vezes a vida assemelha-se a tudo o resto que nos habita, e que já nos habitou.

daqui a uns dias serei operada. mais um obstáculo que devo enfrentar este ano. espero vir a ter algum sossego e poder aproveitar estes meus filhos, a minha juventude, os meus dias.

eles cresceram muito, e eu também. li algures que o que os filhos não sabem, é que os pais estão a crescer ao mesmo tempo que eles. é verdade. e não deixamos de amadurecer, todos os dias aprendemos um pouco mais. nem que seja uma nova receita, um novo truque de limpeza, uma nova informação da nossa área profissional,… todos os dias sorvemos um pedaço de existência. que bom que é!

cá estou, escrevendo mais uma “gostaria-de-ser-uma-carta”. não é bem uma missiva, é o tal papel que assumiste nesse pós-pessoa.

um beijo e que fabriquemos memórias ou obra que perdure…