segunda-feira, 3 de agosto de 2020

8.

estou nas escadas rolantes da estação do metro da Baixa-Chiado. é muito cedo, eu detesto manhãs e já fiz um percurso longo para poder caminhar até ao meu local de trabalho, assim que deixar estas escadas aparentemente infinitas. há um troço incrivelmente lento, aqui onde eu fiquei a pairar enquanto trocávamos mensagens.
recordo com o mesmo sobressalto, e o precipício da saudade a norte, o dia que clareou com um gosto muito de si

e eu de ti, e eu de ti. 

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estou de férias, depois de uma semana a tentar conjugar teletrabalho com uma constipação que me atirou para uma existência de sofá e sono. um falhanço, portanto.
nunca vi no teletrabalho uma solução, mas conhecendo agora os podres deste fiel companheiro, irrita-me profundamente que alguém possa considerar que há aqui algum futuro, senão para quem sente que é verdadeiramente produtivo e cuja vida beneficiará substancialmente de trabalhar em casa. em tempos de pandemia, trabalhamos em casa, cuidamos dos filhos em casa, arrumamos, limpamos, adiamos o trabalho e a vida simultaneamente em casa. somos forçados a ter todas as realidades enfiadas em 100m2 - quando não as encafuamos num t0. 
eu escolhi este parceiro, porque é, de momento, o mais seguro. mas, amaldiçoo esta pandemia por não me dar margem de manobra. 

hei-de voltar, e se Deus quiser, o vírus poupar-nos-á. a economia, nem tanto. 

beijo enorme

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