decidi ser eu a construtora de um novo mundo, pegar nas ferramentas e refazer os caminhos que já existiram.
escrevi-lhe, com tanto tempo pelo meio, sem saber bem o que lhe dizer. tentei escolher entre a minha preocupação pelo seu bem-estar, referir o que partilhou comigo... e ousei arriscar o silêncio. não fui capaz de mencionar as confissões que me perturbam até hoje e com as quais não soube lidar.
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noutra casa, já não habita ninguém. não preciso de procurar, o telefone não chama. fico a lembrar-me desses olhos castanhos claros transparentes, cheios de vida e de palavras que não me conseguiste dar.
é com um arrepio que contemplo a coincidência de a ter visto, uma última vez, antes do covid-19 nos varrer para dentro das nossas habitações.
há mais de uma década que conhecíamos apenas as nossas vozes.
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a distância que sempre existiu parece ferir até à agonia, durante a pandemia.
é um processo que ainda não compreendo. e elas desapareceram.
não sei como voltar a elas. não sei.
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